segunda-feira, 10 de junho de 2013

 Arte na Periferia?



O Coletivo Improvis'Art Artístico nasceu na periferia e aos poucos vem conquistando seu espaço na comunidade realizando diversas ações culturais. Fazer arte na periferia é viver vencendo obstáculos, mostrando que não somos apenas um grupo de "jovens bonitinhos" da quebrada da Zona Oeste. Nosso objetivo é se fortalecer como grupo e através da arte dizer o que temos vontade de gritar, de expor, de falar. Botar para fora tudo aquilo que a mídia não mostra ou mostra de modo "incorreto".
O primeiro passo é vencer os esteriótipos, locais periféricos são violentos, tem tráfico de drogas,Sim, temos tudo isso e muito além disso e me diga qual o lugar desse mundo que não tem essas coisas? Temos diversos grupos de teatro, dança, bandas, artistas plásticos, fotógrafos, grafiteiros, MC's, enfim aqui também tem artistas de qualidade. Já se foi o tempo em que arte era coisa de bacana. 
Graças ao Programa VAI (Valorização de Iniciativas Culturais) da Prefeitura da Cidade de São Paulo, o grupo tem a oportunidade de desenvolver ações que sem este apoio seria quase impossível. Queremos contar a história desse bairro, dos moradores, mostrar a potência que temos, criar uma identidade, fortalecer os laços culturais e promover um grande desenvolvimento cultural e artístico da região, aos poucos, de passo em passo vamos em busca desse objetivo. Aqui a força é muito grande e queremos mostrar essa força. 
Se você quiser conhecer sobre o bairro Jardim João XXIII na internet, verá que tudo relacionado ao bairro são notícias de jornais que reforçam a imagem de marginalização dos bairros periféricos, mostrando somente o lado que lhe és "importante" escondendo o que de fato temos aqui. Não estamos aqui dizendo que nosso bairro não tem problemas, tem sim e muitos: problemas de educação, de saúde pública (falta de medicamentos e médicos), aqui não tem Pronto Socorro 24hs, se o cidadão passa mal depois da meia noite e não tem carro, fica sujeita a ter sérios riscos de vida, aqui tem muitos usuários de drogas que ficam andando pelas ruas e há relatos de muitas pessoas (na maioria mulheres que foram assaltadas por eles), enfim temos muitos problemas assim como DIVERSAS cidades, DIVERSOS bairros desse MUNDO  também tem. Aqui temos usuários marginais e delinquentes já na classe média alta temos vítimas das drogas, temos que mudar essa visão mesquinha de que morador de periferia é  marginal. 

-" Aonde você mora?
- Jardim João XXIII?
- Vixi, lá é pesado hein? Perigoso demais!"
(puff...)

Muitas pessoas possuem a sua visão sobre o bairro. E essa é uma delas. 
Confessamos que é complicado andar sozinho aqui a noite, você não anda em paz, anda olhando para os lados, com passos rápidos e inseguros. Nosso objetivo também é voltar os olhos das "autoridades" para os problemas daqui, para trazer possíveis soluções à essas questões.

Todos os integrantes do grupos nasceram aqui e a questão de falar daqui é algo muito forte para nós. 
Nos conhecemos através do Programa Vocacional Dança em 2011 e desde então estamos unidos em busca de um único ideal: expressão de liberdade e verdade através da arte! Moramos perto do CEU Uirapuru, construído na época da gestão Kassab ele mostra diversos problemas em sua estrutura física: as salas multiusos são espaços "improvisados", com "paredes de plásticos" que sustentam um espaço para realização de diversas atividades, espaços com gramados que poderiam ser melhores explorados, grades, quadras, piscinas, teatro, parque... Apesar desses problemas o CEU Uirapuru é muito importante para a região, embora muitos moradores pensem que esse espaço é dedicado somente às crianças que estudam na escola do CEU. E surge uma pergunta: Será que os moradores do bairro sabem USAR os espaços públicos? Espaços públicos que DEVEM ser usados pelo público? Porque o CEU lota quando há peças com elenco globais e esvazia quando há elencos do próprio bairro? 

Ao longo desses anos o Coletivo Improvis'Art Artístico tem desenvolvendo um olhar mais amplo às questões sociais, políticas e culturais que nos cercam, não queremos fazer entretenimento, fazer pessoas rirem sem gerar uma reflexão, queremos fazer as pessoas pensarem. Acreditamos que o teatro é isso, já que temos a TV que traz banalidades e entretenimentos muito bem. O principal objetivo da arte (em nossa visão) é a construção de um saber, de reflexões que gerem provocações e micro mudanças. 

Fazer arte na periferia é algo muito complexo, envolve questões políticas, o que será daqui a alguns anos? Como será a questão cultural do nosso bairro daqui a alguns anos? Quem sabe?
Estamos caminhando, construindo nossas histórias, regando e semeando sementes, aliás... 

"SEMENTES SÃO IDEIAS QUE NÃO PARAM DE CRESCER."

- Jamais deixar a peteca cair, temos que nos fazer ouvir. 

Coletivo Improvis'Art Artístico 2013. 

Por: Aline Batista. 


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